Onde o futebol ainda sabe brincar.

Ayrton Freire

Quando dobrei à direita na Rua Auri Paraguai Gomes e vi aquela cena decidi parar.

Um pequeno grupo de crianças. Cerca de sete. Correndo atrás da bola. E batendo bola com um adulto.

O homem que aparentava certa idade jogava com eles. Fixo no canto direito do único gol que eles usavam no campinho.

Achei bonita a imagem no pôr do sol do Parque Jockei Clube. Parnamirim.

Àquela hora a TV transmitia jogo da Copa do Mundo. O rádio irradiava ABC e América jogando pela Série D. Mas aqueles amantes e praticantes do futebol tinham uma partida mais importante. A deles.

Era um domingo. Dia clássico de futebol.

Aquele homem poderia estar de frente a TV vendo o Mundial. Ou no estádio vendo o ABC que jogava em casa naquele 14 de junho enquanto o América visitava o Sousa na Paraíba. Ou poderia até mesmo estar em algum outro campo vendo uma boa partida de várzea.

Mas não. Ele tinha um jogo mais importante.

Não sei eu tinha razão quando comentei que aquela era uma típica cena de avô.

Às vezes é preferível continuar com a dúvida do que querer saber demais. E em tempos de telas pausar a brincadeira na rua é bola fora.

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