A mansão era do funcionário. O carro também. Mas só no papel.

Divulgação/MPRN

Carro de luxo no nome de auxiliar de contabilidade com salário de menos de R$ 2 mil. Mansão em condomínio fechado comprada por funcionário. Empresas abertas em nome de terceiros. Gente de baixa renda e até beneficiários de programas sociais usados como sócios de fachada.

É esse o enredo descrito pelo Ministério Público no esquema que desembocou na Operação Emirados no Rio Grande do Norte.

No centro da história está um empresário do ramo de postos de combustíveis suspeito de montar uma rede para esconder patrimônio e sonegar impostos. A investigação aponta que ele usava parentes e funcionários de confiança para registrar carros. Imóveis. Empresas. Os bens não eram dele no papel. Eram na prática.

A engrenagem também incluía distribuidoras. Bares. Postos de combustíveis. O empresário não aparecia formalmente em parte dessas empresas. Mas era apontado como o verdadeiro dono do negócio.

A suspeita é de uma fraude tributária em série. Mercadoria que entrava sem registro. Nota fiscal que não saía. Empresa aberta atrás de empresa no nome de laranjas.

O tamanho da conta ajuda a medir o caso. As empresas ligadas ao grupo acumulam quase R$ 73 milhões em dívidas de ICMS inscritas na Dívida Ativa do Estado.

Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi a compra de um carro importado avaliado em cerca de R$ 800 mil no nome de um auxiliar de contabilidade que recebia R$ 1.954 por mês. O mesmo funcionário também apareceu como comprador formal de uma casa de alto padrão declarada em dois milhões e meio de reais. O carro e o imóvel eram usados pelo empresário.

A Justiça mandou bloquear o valor correspondente ao da dívida ativa com o Estado. A medida atingiu contas de pessoas físicas e jurídicas e nove empresas apontadas como parte do esquema.

Foi esse enredo que levou à Operação Emirados deflagrada nesta terça-feira pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.

E o empresário? Foi preso.

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