A conta chegou para o motorista que Natal esperou 42 anos para prender.

O policiais tinham apenas uma foto velha como material (Divulgação)

Um homem condenado à revelia a 21 anos de prisão e que estava foragido há 42 anos foi finalmente preso.

Aluísio Farias Batista é o homem de 69 anos apontado como o motorista do ônibus que atingiu foliões durante o carnaval de Natal em 1984. A tragédia matou 19 pessoas e deixou outras 12 gravemente feridas.

Tudo começou quando o motorista teria ficado irritado ao saber que faria uma viagem extra na madrugada. Já com o ônibus lotado de integrantes de uma escola de samba houve uma discussão. O motorista teria arrancado em alta velocidade. Avançado sinal vermelho e dito:

“Se tiver que morrer morre todo mundo.”

Na altura do Viaduto do Baldo o ônibus bateu em um Fusca estacionado. Mudou de direção e invadiu um bloco atropelando dezenas de foliões ao longo de quase 100 metros.

O caso ficou conhecido na crônica potiguar como Tragédia do Baldo. Aluísio fugiu logo após o atropelamento e permaneceu foragido por mais de quatro décadas.

A polícia tinha apenas uma fotografia feita na época da tragédia para tentar localizá-lo.

A investigação ganhou um novo rumo quando os policiais descobriram que o pai do foragido havia morrido em Tangará da Serra no Mato Grosso em 2021. A informação permitiu o intercâmbio de dados entre as polícias dos dois estados.

Os investigadores descobriram que Aluísio chegou a emitir um documento de identidade com seus dados verdadeiros no Mato Grosso em 1995.

Depois disso passou a usar a identidade de uma pessoa que morreu em Natal em 1996. Ainda não se sabe desde quando utilizava os dados do morto.

O detalhe que acabou chamando a atenção foi que Aluísio usou esse RG em 2021 para renovar a carteira de motorista e continuar trabalhando como motorista.

Nesta sexta-feira os policiais foram primeiro ao local de trabalho dele. Como não o encontraram seguiram para a residência. Aluísio apresentou inicialmente o nome falso. Depois confessou a verdadeira identidade quando os agentes disseram que sabiam quem ele era.

O momento em que Aluísio chegou à delegacia (Divulgação)

Foram 42 anos de fuga. Quatro décadas em que uma das maiores tragédias da história de Natal permaneceu sem um desfecho. Agora a prisão coloca um ponto final na busca pelo homem condenado pelo caso que marcou gerações de potiguares.

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