Missa em intenção da alma de um vivo faz igreja de Natal rir. 

Existe um momento da missa que quase ninguém presta atenção.

É antes da procissão de entrada.

Enquanto alguns rezam. Outros conversam. Hoje a maioria mexe no celular.

É quando começam a ser lidas as intenções da Santa Missa.

Poucos realmente escutam.

Param apenas aqueles que querem confirmar se a intenção pela qual – em alguns casos pagaram – foi lida. Principalmente quando é por um parente. Um amigo. Ou alguém querido.

E voltam ao que faziam anteriormente logo após ouvirem o nome a esperar pela procissão de entrada.

As intenções são de todo tipo.

Tem pedido pela restauração de um casamento. Pela aprovação em um concurso. Tem agradecimento. Tem aniversário.

Mas a maioria é pelas almas. Por aqueles que faleceram há sete dias. Trinta. Um ano. Dez. Et cetera.

São tantos nomes que quem faz a leitura pode se atrapalhar.

Só existe um erro que pelo bom senso não pode acontecer.

Colocar um vivo na lista dos falecidos.

Mas foi exatamente o que aconteceu na missa de um padre veterano da Arquidiocese de Natal. Em uma paróquia perto de mim.

Ele percebeu que um nome havia ficado de fora das intenções.

-Acredito que esteja na outra lista. Disse a comentarista.

O padre não perdeu a chance.

-Já pensou a pessoa viva e o nome na lista dos falecidos? Não dá certo. Ninguém vai querer.

A igreja caiu na risada.

Pausa.

-Iniciemos a Santa Missa.

E eu quase não consegui fazer o “Em nome do Pai” de tanto rir.

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