
Tem gente que acha que eleição é igual em todo canto.
Não é.
Vou decepcionar quem pensa que o Nordeste também é.
Sequer o pequeníssimo Rio Grande do Norte cabe numa única forma de fazer política.
Basta comparar Natal com o interior.
A diferença é daquelas que parecem separar Tibau de Tibau do Sul.
Lembro que antes de apresentar o jornal das seis da manhã na TV a gente passava um bom tempo relembrando campanhas eleitorais pelo interior.
Quase sempre eu gastava uma hora falando besteira enquanto o jornal era fechado.
Minhas experiências como locutor.
Os parceiros de conversa eram Norton.
Vinícius Marinho.
E Gustavo Brendo.
Era impressionante como todos chegavam à mesma conclusão.
A política do interior é outra.
Até Gustavo. Criado na Grande Natal. Percebia isso.
É no interior que ainda se aposta casa.
Moto.
Ou boi na vitória de determinado candidato.
É lá que no dia seguinte ao comício a principal discussão da cidade é saber quem levou mais gente.
No interior o locutor perde a conta dos carros da carreata.
É em qualquer rincão do estado que surgem as vigílias na noite anterior à eleição para flagrar compra de voto ou qualquer outra sacanagem do adversário.
E é no interior que continuam ecoando aquelas músicas que atravessam gerações.
“Só fica aqui o babão.”
“Nós vamos dar remédio ao bicudo.”
A lambada bacurau.
“A Rural vai arribar.”
Mas nada se compara ao que acontece quando a eleição termina.
O lado que venceu sai pelas ruas comemorando ao som da música da campanha de quem perdeu.
Não se nega.
Tudo isso faz parte.
E certa vez ouvi do velho Chico Araújo o melhor resumo dessas presepadas.
O ex-prefeito da minha terra disse a Garibaldi Filho:
“A briga aqui sempre foi entre dois pássaros. O bacurau e o bicudo. Eles se bicam. Mas nunca se matam.”
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