O gato Mimo sumiu em Alagoas e reapareceu em Natal. Só Deus e ele sabem como. 

O mimoso gato Mimo (cedida)

Quem perde um gato sabe a angústia que é.

Falo porque perdi Raio por algumas horas em um antigo endereço que morei.

Você procura pela casa.

Pela rua.

Pergunta aos vizinhos.

Posta em grupos da internet.

E creio que conforme os dias passam começa a imaginar o pior.

Foi exatamente isso que aconteceu com a tutora de Mimo. Há dois meses ela não tinha mais notícias do gato e já acreditava que ele dificilmente estaria vivo.

Até que surgiu uma ligação inesperada.

O gato tinha sido encontrado.

Em Natal.

Mais precisamente no Felipe Camarão.

O detalhe é que Mimo mora em Arapiraca. Em Alagoas.

Só Deus e ele sabem como ele veio parar aqui.

Foi a coleira de identificação que permitiu localizar a tutora. Ela ficou aliviada ao saber que o bichano estava vivo. Só havia um problema: não tinha dinheiro para buscá-lo nem para pagar a viagem dele de volta.

Os protetores de animais que acolheram Mimo resolveram fazer uma vaquinha.

Deu certo.

O gato volta hoje para casa.

Essa história me fez lembrar de outra.

Senta que lá vem história.

Quando eu trabalhava na TV apareceu por lá um gato muito bonito. Era dócil. Tinha uma pintinha no rosto. Dava para perceber que era de alguém.

A gente passou a cuidar dele.

Até que um ex-funcionário encontrou em um grupo de redes sociais uma foto de um gato desaparecido.

Era o mesmo.

Reconheceu pela pintinha. Entrou em contato com a família.

E pouco tempo depois o tutor apareceu na TV com o filho para buscá-lo.

Foi daqueles reencontros que fazem qualquer um sorrir.

Depois descobrimos o mistério.

O homem era policial e havia parado para abastecer a viatura em um posto que era mantido pelo Estado perto da emissora.

A explicação mais provável é que o gato tivesse viajado escondido no motor do carro.

Quando a viatura parou ele desceu.

Encontrou outros gatos.

E resolveu ficar.

No fim das contas Mimo cruzou estados.

O gato da TV atravessou Natal.

Cada um do seu jeito.

Mas os dois provaram que às vezes um bichano desaparecido só precisa de uma pessoa disposta a olhar um pouco mais de perto para encontrar o caminho de casa.

Só sei que vou agora mesmo providenciar a identificação PET para Raio. Mesmo com a gente vivendo atualmente em apartamento todo telado.

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