
Eu tenho pegado material de qualquer candidato que me oferecem no sinal.
Acho cortês.
E tem outra razão.
É uma forma de ajudar quem está ali trabalhando honestamente debaixo do sol escaldante de Natal para entregar os santinhos.
Também gosto de pegar o material para conhecer um pouco mais os candidatos.
Independentemente de quem sejam.
Independentemente da bandeira que defendam.
Campanha é para isso também.
Para apresentar candidato.
Para pedir voto.
Para convencer.
Então vou continuar recebendo material de quem me oferecer.
Mas hoje aconteceu uma coisa de que não gostei muito.
Parei no sinal.
Uma moça veio até o carro e perguntou com gestos se eu queria receber o material de um candidato a deputado federal.
Eu acenei que sim.
Ela foi gentil.
Abri a janela.
Recebi o folder.
E pronto.
Só que havia alguém filmando.
Meio escondido.
Eu não tinha percebido.
E é aí que está a diferença.
Eu não tenho problema algum em receber material de qualquer candidato.
Não estou declarando voto porque aceitei um santinho.
Não estou fazendo campanha porque recebi um folder.
Estou apenas recebendo um material que me foi oferecido.
O que me incomodou foi descobrir que aquela cena estava sendo gravada sem que eu soubesse.
E foi tudo muito rápido.
Eu estava parado no sinal.
A moça fez o gesto.
Eu acenei.
Recebi o material.
O sinal abriu.
Fim.
Não houve tempo sequer para perceber a câmera e dizer que não queria aparecer.
Talvez alguém veja a cena e não encontre problema algum.
Eu encontro.
Porque uma coisa é eu escolher aparecer.
Outra é eu estar dentro do meu carro recebendo um material que qualquer candidato poderia me entregar e descobrir depois que aquilo virou imagem.
Continuarei pegando os santinhos.
De todos.
É meu jeito de tratar com respeito quem está trabalhando.
Mas câmera escondida é outra história.
Para receber um folder eu digo sim.
Para emprestar minha imagem a uma campanha eu gostaria de poder decidir antes.
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