Eu cresci ouvindo Robinson Faria nas rádios Agreste. AM e FM. A primeira em Santo Antônio e a segunda em Nova Cruz. Ambas entravam em cadeia para transmitir aos domingos o programa do deputado estadual. Ele fazia a famosa prestação de contas. As entrevistas com prefeitos da região. Eu ouvia por influência de meu avô Zé de André – grande ouvinte dele.
Vovô mantinha um clube de futebol amador conhecido como o Time das Almas por causa do campo ao lado do cemitério do distrito de Lajedo Grande – Jundiá. E a equipe disputava a Copa Robinson Faria que quase sempre tinha a final na cidade de Várzea reunindo os dois últimos sobreviventes de mais de 100 escretes que chegavam a se inscrever.

Robinson era conhecido por ser o cara que não perdia eleição. Até que se candidatou ao governo. Então todo mundo pensou que agora sim ele seria derrotado. Não foi. Se elegeu governador em 2014. Teve um governo conturbado. Salários atrasados. Crises sérias de segurança pública. Foi para a reeleição e dessa vez perdeu. Terceiro colocado.
Pensei que aquele era o fim da carreira vitoriosa de Robinson Faria. Até que em 2022 se elegeu deputado federal mesmo com a grande rejeição em torno dele em razão de quando foi governador.
Neste domingo Robinson sentiu de novo a melancolia da derrota. E talvez da pior maneira. Apenas 32 votos o separaram do reeleito João Maia.
Aquela família com cinco votos para ele que não conseguiu ir votar. Aqueles 15 trabalhadores que esqueceram do voto em trânsito e ficaram então impedidos de irem às urnas. Aquela meia dúzia de três ou quatro que adoeceu e desistiu do voto…
Se eu estou fazendo as contas dos votos que faltaram para Robinson Faria imagina ele.
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